JORNALISTAS SEM RABO PRESO DECIDEM FORMAR COMITÊ PARA ENCARAR ATAQUES À DEMOCRACIA

Reflexão do jornalista Cláudio Abramo cai como luva no momento atual
Na noite de 7 de abril, Dia do Jornalista, o histórico e emblemático auditório Vladimir Herzog foi completamente tomado por um ato público no qual a diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo lançou o “Comitê dos Jornalistas Contra o Golpe”, que discutirá propostas e encaminhamentos para reforçar a luta contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff e desmontar os ataques à democracia que voltaram a fazer parte da vida política do país.
Uma das primeiras personalidades a se manifestar no ato público, o ex-presidente do sindicato Audálio Dantas lembrou que o auditório Vladimir Herzog já viveu grandes momentos de luta pela democracia e, em especial contra a ditadura militar, esteve sempre lotado, como acontecia naquela noite.
Audálio Dantas: fascistas tentam retomar o poder

“Em nome das lutas dos jornalistas, independentemente de suas filiações partidárias, das lutas de resistência contra o autoritarismo, estou hoje aqui primeiramente em cumprimento de um dever da minha consciência, que é aquele de resistência a movimentos de fascistas, que neste momento tentam voltar ao poder pelo caminho curto do golpe. É contra essa tentativa de destruição das conquistas do povo brasileiro na luta contra a ditadura militar, em nome dessa luta, que estou aqui hoje, pois, como antes, é preciso que nós estejamos conscientes da necessidade de lutar contra aqueles que pretendem ganhar o poder por meio do golpe”, conclamou Audálio Dantas.
Paulo Moreira Leite também falou sobre os perigos que o país está vivendo

O Comité foi resultado direto do Manifesto dos Jornalistas em Defesa da Democracia e dos Direitos Sociais, assinado por cerca de 2 mil profissionais de imprensa. Diretores do sindicato e jornalistas que subscreveram o documento compuseram a mesa de debate, como o presidente do Sindicato, Paulo Zocchi, o secretário geral, André Freire, o ex-presidente Audálio Dantas, o secretário geral da Fenaj, José Augusto Camargo (Guto), o presidente da Associação dos Jornalistas Veteranos, Amadeu Mêmolo, o diretor da Cojira, Flávio Carrança, a presidente do Grupo Tortura Nunca Mais, Vilma Amaro, o jornalista Paulo Moreira Leite, a jornalista Maria Inês Nassif, o professor Laurindo (Lalo) Leal Filho, e o jornalista Altamiro Borges.

COMITÊ REÚNE-SE DIA 12 Na plateia, jornalistas, lideranças sociais e sindicais na luta em defesa da democracia, inclusive o presidente da CUT São Paulo, Douglas Izzo. Foi consenso entre os participantes o protagonismo das grandes empresas de comunicação na articulação de um golpe com o objetivo de derrubar o governo legítimo da presidente eleita Dilma Rousseff e a necessidade da categoria em manter sua condição histórica de luta contra o autoritarismo e a censura.

O “Comitê de Jornalistas Contra o Golpe” terá sua primeira reunião na próxima terça-feria (12), às 19 horas, no próprio sindicato. Ele é aberto a todos os jornalistas. Para ajudar a financiar as atividades do comitê foi iniciada no próprio ato uma campanha de arrecadação de fundos que deverá ser permanente.

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